Copa do Mundo 1970: Brasil é tricampeão no México

A desorganização que imperou em 1966 serviu de lição à Confederação Brasileira de Desportos. Para a campanha do México, a CBD traçou um plano eficiente. A rigidez do regime militar que governava o Brasil foi levada para a seleção brasileira. O comando da delegação foi entregue ao major-brigadeiro Jerônimo Bastos, que tinha um major do Exército como seu principal assistente. Na comissão técnica havia mais militares. O supervisor era o capitão do Exército Cláudio Coutinho e um dos preparadores físicos era o também capitão Carlos Alberto Parreira.

Comunista no comando
Curiosamente, o comando técnico ficou a cargo do jornalista e ex-técnico do Botafogo, João Saldanha, notório simpatizante do extinto Partido Comunista.  Saldanha convocou o que havia de melhor no futebol brasileiro e seu time foi apelidado de “as Feras do Saldanha”.  O Brasil não teve dificuldade em se classificar. A dupla de frente Pelé-Tostão aterrorizou a defesa de Colômbia, Venezuela e Paraguai e as goleadas se sucederam. Foram 23 gols marcados em 6 jogos. Na fase de amistosos, porém, João Saldanha comprou uma briga com a imprensa e torcedores, dizendo que Pelé tinha um problema na vista e não tinha condição de jogo. A torcida não queria saber, preferia Pelé no time, mesmo que com tapa-olho. Médici Saldanha acabou sendo demitido do comando da seleção ao resistir a uma tentativa de interferência feita pelo então presidente da República, o general Emilio Garrastazu Medici, um torcedor fanático.  Medici tentou impor a convocação do atacante Dario, do Atlético Mineiro. Saldanha teria respondido: “Eu não opino na escolha do seu ministério, portanto não aceito que o senhor dê palpites no meu time.”  A 60 dias do início da Copa, o ex-jogador bicampeão em 58 e 62, Zagalo foi convidado para substituir Saldanha. Coincidência ou não, Dario, o preferido do presidente Medici, acabou convocado.  Zagalo aproveitou a base do excelente time armado por Saldanha e fez algumas modificações fundamentais, como a escalação do meio-de-campo Wilson Piazza, do Cruzeiro, na quarta-zaga ao lado de Brito e de Rivelino, o fabuloso craque do Corinthians, na ponta-esquerda, no lugar do driblador Edu.  Dois meses antes de a Copa começar, o Brasil foi o primeiro time a chegar ao México, instalando-se na cidade de Guanajuato para se aclimatar à altitude de mais de 2 mil metros.

Final
Na outra semifinal, a Itália venceu a Alemanha na prorrogação por 4 a 3, depois de um empate em 1 a 1 no tempo normal.   No dia 21 de junho, Brasil e Itália, dois bicampeões mundiais, entravam no estádio Asteca para decidir quem ficaria de posse definitiva da taça Jules Rimet.  Ainda no primeiro tempo, Pelé abriu o placar de cabeça. Uma falha de Clodoaldo provocou uma sucessão de erros da defesa, deixando a bola livre nos pés do italiano Boninsegna que completou para o gol vazio. A superioridade do Brasil era evidente e, no segundo tempo, os gols foram surgindo. Gerson fez dois a um aos 20 minutos num chute forte cruzado ameia altura, colocado no canto esquerdo do goleiro Albertosi.

Aos 32, Gerson fez um lançamento preciso do meio de campo, colocando a bola na cabeça de Pelé, dentro da área. Pelé tocou para a finalização atabalhoada de Jairzinho. Jair passaria para a história das Copas por ter marcado em todos os jogos do Brasil no torneio. Para completar a festa brasileira, aos 42 minutos, o capitão Carlos Alberto completava para o fundo da rede italiana um passe de Pelé. Os italianos foram derrotados por um dos melhores times de todos os tempos, consagrado por imprensa e torcedores de todo o mundo. Depois da final, o técnico da equipe da Tchecoeslováquia, que tinha sido muito criticado pela derrota para o Brasil na estréia disse: “Agora o mundo compreende a razão de termos perdido de quatro a um. Ninguém vence esse time do Brasil.” Após a festa e a invasão do gramado pela torcida, o capitão Carlos Alberto levantou a taça Jules Rimet que seria levada em definitivo para o Brasil.

A Copa de 70 foi a primeira a ser transmitida pela TV via satélite, marcando, assim, a comercialização maciça do torneio. Foi também na Copa de 70 que a Fifa introduziu os cartões vermelho e amarelo para advertir os jogadores faltosos. Curiosamente, não houve expulsão de jogadores durante a competição. Pela primeira vez seriam permitidas substituições de jogadores durante os jogos.

Até Breve

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